Governo do Amapá apresenta tecnologias de referência nacional em workshop sobre manejo florestal na Amazônia
O Estado compartilhou experiências em monitoramento ambiental e manejo sustentável durante encontro promovido pelo Ibama, em Brasília.
O Governo do Amapá, representado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), participou entre os dias 18 e 22 de maio de 2026 do Workshop Manejo Florestal Sustentável e Conservação da Amazônia, realizado na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília. O encontro reuniu órgãos ambientais da Amazônia Legal, empresas concessionárias, pesquisadores e representantes do setor florestal para discutir manejo de impacto reduzido, conservação da biodiversidade e tecnologias aplicadas ao monitoramento ambiental em áreas declivosas.
O principal eixo de debate foi o aperfeiçoamento das técnicas de manejo florestal em regiões de relevo forte ondulado e montanhoso, considerado um dos maiores desafios operacionais da Amazônia e realidade presente em áreas estratégicas do território amapaense.
A secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça, destacou que o Amapá vem fortalecendo uma política ambiental baseada em ciência, inovação e controle ambiental.
“O Amapá tem consolidado uma gestão florestal moderna, com investimentos em tecnologia, monitoramento e planejamento ambiental. Essa atuação fortalece a proteção da floresta, amplia a segurança técnica das operações e posiciona o estado como referência para outros territórios da Amazônia Legal”, ressaltou a secretária.
O workshop teve origem a partir do processo de vistoria em áreas sob concessão florestal da Floresta Nacional do Amapá, da visita técnica à concessão florestal da TW Forest e do acompanhamento do plano de manejo da Atexma, realizados em novembro de 2025. Durante essas atividades, equipes técnicas do Ibama tiveram contato direto com as particularidades das operações florestais em áreas de relevo acidentado, onde a exploração madeireira exige planejamento detalhado, controle operacional rigoroso, tecnologia de precisão e critérios ambientais compatíveis com a realidade de campo.
Tecnologia e monitoramento ambiental
No evento, a Sema apresentou experiências e tecnologias aplicadas ao monitoramento das concessões florestais estaduais. Entre os destaques esteve o uso do Índice Normalizado de Diferença de Fração (NDFI), processado em ambiente de nuvem no Google Earth Engine, por meio do aplicativo SIMEX V.2.0.0.
A metodologia, baseada em modelo de mistura espectral, permite qualificar os impactos da exploração florestal e avaliar a qualidade ambiental das intervenções em áreas manejadas. Na classificação apresentada, áreas com NDFI menor ou igual a 0,84 são consideradas de baixa qualidade ambiental pós-exploratória; valores entre 0,85 e 0,89 indicam qualidade intermediária; e valores maiores ou iguais a 0,90 representam boa qualidade, associada a menor impacto e melhor manutenção da estrutura florestal.
A Sema destacou que a aplicação do índice é validada por meio de vistorias de campo, realizadas tanto durante o acompanhamento das atividades exploratórias quanto na fase pós-exploratória, fortalecendo a integração entre sensoriamento remoto, geotecnologias e fiscalização ambiental.
Além do NDFI, a equipe técnica do Amapá apresentou o uso de imagens SAR, de radar de abertura sintética, com resolução de 2,5 metros na banda X e 2,25 metros na banda P. As tecnologias permitem gerar modelos de terreno mais próximos da realidade de campo e são estratégicas para o planejamento de estradas florestais, identificação de áreas sensíveis, análise de declividade, monitoramento da exploração e redução de impactos ambientais.
O diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema, Marcos Almeida, destacou que a concessão florestal estadual representa um dos principais instrumentos de gestão florestal sustentável do Amapá.
“A Concessão Florestal Estadual do Amapá é uma estratégia fundamental para compatibilizar produção, conservação e desenvolvimento sustentável. Estruturada atualmente em 13 Unidades de Manejo Florestal, a Floresta Estadual do Amapá combina produção madeireira regulada com conservação ambiental de longo prazo. O Estado se preparou para este momento com investimentos em imagens de alta resolução e tecnologias de referência, validadas cientificamente, para monitorar e qualificar o manejo florestal”, destacou.
Marcos Almeida também ressaltou que a Sema mantém diálogo contínuo com as empresas concessionárias para aperfeiçoar as técnicas de exploração florestal e reduzir os impactos ambientais, especialmente em áreas de relevo acentuado e submetidas a regimes intensos de chuva, condições que exigem soluções técnicas adaptadas à realidade amazônica.
Outro ponto enfatizado no workshop foi a relação direta entre manejo florestal sustentável, conservação da flora e proteção da fauna silvestre. Quando realizado com planejamento, controle técnico e monitoramento ambiental, o manejo contribui para manter a floresta em pé, preservar corredores ecológicos, conservar habitats naturais e reduzir pressões associadas ao desmatamento ilegal e à ocupação desordenada.
Nesse contexto, as áreas de concessão florestal também foram discutidas como espaços com potencial estratégico para integrar produção sustentável e conservação da biodiversidade. Por manterem cobertura florestal, controle territorial, presença técnica em campo e monitoramento contínuo, essas áreas podem ser avaliadas como potenciais Áreas de Soltura de Animais Silvestres (ASAS), desde que atendam aos critérios técnicos, ambientais e legais definidos pelos órgãos competentes.
Para o engenheiro florestal Obed Corrêa, representante da TW Forest, a participação no workshop fortalece o diálogo entre o setor produtivo e os órgãos ambientais.
“Participar do workshop promovido pelo Ibama, em Brasília, representa uma importante oportunidade para fortalecer o diálogo entre o setor produtivo e os órgãos ambientais, contribuindo para o aprimoramento das práticas de manejo florestal sustentável e da conservação da fauna. O manejo realizado com responsabilidade técnica é uma ferramenta essencial para manter a floresta em pé, conservar a biodiversidade, gerar emprego e renda e promover o desenvolvimento sustentável”, afirmou.
Obed também ressaltou que a troca de experiências entre profissionais, empresas e instituições é essencial para aperfeiçoar políticas públicas e consolidar modelos de gestão que conciliem produção, conservação ambiental e benefícios para as comunidades que dependem dos recursos florestais.
O presidente da Associação dos Trabalhadores dos Projetos de Assentamentos Extrativistas do Vale do Rio Maracá (Atexma), Rogério Chucre, destacou que a participação no workshop reforça a importância do manejo florestal sustentável como instrumento de conservação ambiental e desenvolvimento social para as comunidades amazônicas.
“A experiência das famílias extrativistas demonstra que é possível gerar renda, fortalecer a economia local e melhorar a qualidade de vida das comunidades mantendo a floresta em pé e protegendo a fauna e os demais recursos naturais”, afirmou.
Rogério destacou ainda que os espaços de diálogo entre órgãos ambientais, setor produtivo e organizações comunitárias são fundamentais para o aperfeiçoamento das políticas públicas e para o reconhecimento do papel das populações tradicionais na promoção do uso sustentável dos recursos florestais.
Amapá como referência na Amazônia Legal
Para o engenheiro florestal da Atexma, Cleomilton Costa, com mais de 30 anos de experiência no setor, iniciativas como o workshop promovido pelo Ibama são fundamentais para aproximar a realidade das operações florestais das discussões técnicas e regulatórias que orientam o manejo no país.
Além disso, ele reforçou que é essencial que os regramentos e procedimentos acompanhem a evolução tecnológica, mantendo o rigor ambiental, mas incorporando ferramentas modernas que ampliem a eficiência, a segurança jurídica e a capacidade de monitoramento das atividades.
“A atualização contínua das normas, baseada em evidências técnicas e na experiência prática acumulada, fortalece a gestão sustentável das florestas, amplia a proteção da biodiversidade e contribui para que o manejo florestal continue sendo uma das principais estratégias para conservar a floresta em pé, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos para o país”, afirmou.
O engenheiro florestal Carlos Henrique Guilherme Ulchak, responsável técnico pela RRX Timber, concessionária atuante na Floresta Nacional do Amapá, avaliou o encontro como um marco para o diálogo entre o setor produtivo, os entes reguladores e os profissionais da área florestal.
Segundo ele, a ciência do manejo florestal sustentável na Amazônia é dinâmica e passa por constante evolução técnica e jurídica, com foco na consolidação do manejo de impacto reduzido e na sustentabilidade das operações.
Durante o workshop, Ulchak compartilhou sua experiência sobre os desafios e as particularidades do manejo florestal sustentável em áreas de concessão na Flona do Amapá, apresentando estratégias operacionais que contribuíram para o debate técnico. Ele também destacou a responsabilidade socioambiental da RRX Timber e as parcerias técnico-científicas desenvolvidas no estado.
Como exemplo, citou os trabalhos realizados em conjunto com a Universidade do Estado do Amapá e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Por meio dessas parcerias, pesquisas de doutorado e pós-doutorado buscam compreender e aprimorar a dinâmica da floresta, com avanços apresentados aos participantes do evento.
“A adoção de boas práticas e o rigor técnico no manejo sustentável são pilares para a conservação ambiental. É por meio dessa atividade estruturada que garantimos a floresta em pé, aliada à geração de emprego e renda. Essa é, sem dúvida, a solução mais robusta para consolidarmos uma economia verde no Amapá, garantindo a perpetuidade dos recursos naturais para as próximas gerações”, concluiu Ulchak.
Alexandre Brasil, da Evergreen Investimentos Florestais, destacou que o debate sobre as concessões florestais envolve diferentes olhares institucionais, todos relevantes para o aprimoramento da gestão ambiental.
Ele enfatizou que, enquanto os órgãos federais têm atuação voltada à proteção ambiental e à observância normativa, os estados também carregam a responsabilidade de promover o desenvolvimento sustentável de forma ordenada, conciliando conservação, geração de emprego, renda, bem-estar social e fortalecimento da economia florestal.
Segundo Alexandre, as concessões florestais, quando conduzidas com responsabilidade técnica, planejamento e monitoramento, contribuem não apenas para manter a floresta em pé, mas também para gerar receitas aos governos federal, estadual e municipais, às comunidades locais e ao próprio sistema de gestão de áreas protegidas e unidades de conservação.
“É preciso construir uma agenda de trabalho regular, com equilíbrio, parcimônia e base técnica, para que as decisões fortaleçam tanto a conservação ambiental quanto o desenvolvimento sustentável proposto pelo Governo do Amapá”, destacou.
Alexandre ponderou ainda que o setor acompanha com atenção a possibilidade de construção de novas normativas, especialmente para que eventuais critérios técnicos sejam estabelecidos com base em dados de campo, evidências científicas e na realidade operacional das áreas manejadas, como já ocorre no Amapá.
Para ele, qualquer avanço regulatório deve considerar os aspectos ambientais, técnicos e econômicos do manejo florestal, de modo a garantir segurança jurídica, viabilidade operacional e proteção efetiva da floresta.
Por fim, defendeu que o caminho mais adequado é o diálogo permanente entre órgãos ambientais, governos, empresas, comunidades e instituições técnicas.
Ciência, tecnologia e sustentabilidade
Com a experiência acumulada na gestão da Floresta Estadual do Amapá e o uso de tecnologias avançadas de monitoramento ambiental, o Estado reafirma seu compromisso com uma economia florestal de base sustentável, orientada pela ciência, inovação e responsabilidade socioambiental.
A integração entre manejo responsável, conservação da fauna e manutenção da flora demonstra que a floresta pode ser produtiva sem deixar de cumprir sua função ecológica, social e climática. Esse é o caminho para uma Amazônia viva, manejada com conhecimento técnico, protegida com responsabilidade e capaz de gerar oportunidades econômicas e sociais para as atuais e futuras gerações.
Participaram do encontro órgãos estaduais de Meio Ambiente do Amapá, Pará, Acre e Rondônia, além de empresas concessionárias e empreendimentos privados do setor florestal, como Madeflona, de Rondônia; Patauá, Brasa Norte e Blue Timber, do Pará; TW Forest, RRX Timber e Amazônia Florestal, do Amapá.
Também participaram representantes de grandes áreas privadas de manejo florestal do país, como Agrocortex, do Acre, e Atexma, do Amapá.
Fique por dentro das notícias do Governo do Amapá no ==> Instagram e Facebook.
Siga o canal do Governo do Amapá no WhatsApp e receba notícias em primeira mão!