Entre raízes e versos, a literatura ganha voz na Expofeira 2026
Mini Teatro Caboco recebeu escritores e poetas em noite dedicada às histórias que atravessam a literatura amapaense.
Quando Esmeraldina dos Santos sobe ao palco, leva consigo muito mais do que livros: carrega as memórias do Quilombo do Curiaú, os ensinamentos da família e as experiências de uma trajetória que encontrou na literatura uma forma de preservar e compartilhar histórias. Escritora e moradora do Curiaú, ela participou da programação desta quinta-feira (13), no Mini Teatro Caboco, durante a Expofeira 2026, onde falou sobre suas raízes e apresentou ao público histórias do quilombo que fazem parte de sua identidade.
“Aqui é um espaço maravilhoso para contar a história do meu quilombo”, contou Esmeraldina, que já publicou sete livros e se prepara para lançar uma nova obra no próximo dia 28 de agosto, em Macapá.
A emoção, segundo ela, estava também na resposta do público. Para Esmeraldina, encontrar leitores e espectadores em um dos maiores eventos do Amapá representa a oportunidade de fazer com que histórias que nasceram em comunidades e territórios tradicionais encontrem novos caminhos.
Foi também a partir de suas raízes que Allan Carlos Dias levou seus versos ao Mini Teatro Caboco. Natural de Tartarugalzinho, o poeta apresentou o projeto Raízes e Rimas, que reúne histórias e experiências de sua cidade, de sua família e de sua própria trajetória, transformadas em poesia.
“Para contar a história de um povo é preciso sentir na pele. Quando a gente sente na pele, a gente tem identidade, fala de verdade, fala de sentimento”, explicou.
A apresentação reuniu poemas sobre identidade, ancestralidade e os desafios enfrentados pela população negra, transformando vivências e reflexões em versos compartilhados com o público. Para Allan, ocupar um espaço como o Mini Teatro Caboco representa a oportunidade de ampliar o alcance dessas narrativas e dar voz a histórias que, muitas vezes, permanecem distantes dos grandes palcos.
“Quando a literatura fala, quando nós expressamos e ela é compartilhada, não só eu que ganho. É o Amapá que ganha, é o Brasil que ganha, é a juventude que pode ouvir hoje e compreender amanhã”, disse.
Noite de palavras
A programação do Mini Teatro Caboco começou no fim da tarde e se estendeu pela noite com um sarau que reuniu diferentes formas de expressão literária. Contação de histórias, declamações, poemas autorais, música e performances transformaram o espaço em um encontro entre escritores, artistas e público, celebrando a diversidade da produção cultural amapaense.
Passaram pelo palco nomes como Jeniffer Yara, com o Sarau Ventos do Norte; Jojo Dieria, com Sankofa: A Poesia do Meio do Mundo; Allan Dias, com Raízes e Rimas; Aldair de Lima; Esmeraldina dos Santos; Luana Luany, com Poemas do Quebra-Mar; Osvaldo Simões, no Batuque das Letras; Carla Nobre e Cláudia A. Flor D'Maria, com Variações do Infinito; Adna Selvage, com A Poeta Inflamada; além de Marven Junius Franklin, Graça Senna, Camila Nobre e Gabriel Guimarães.
Em meio à programação da Expofeira, a literatura encontrou espaço para se manifestar não apenas por meio da palavra escrita, mas também como memória, identidade, crítica, afeto e expressão artística. A iniciativa integra a agenda cultural do evento, realizado pelo Governo do Estado do Amapá, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).
Assessoria de comunicação do governo do estado do Amapá
Lucas Mota - 96 99158-7392
Fotógrafa: Márcia do Carmo
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