Expofeira 2026: projeto da Justiça Pop Rua Jud transforma trajetórias de pessoas que viviam nas ruas
Atendidos pela Rede Pop Rua Jud trabalham na limpeza do Parque de Exposições da Fazendinha e encontram no emprego um caminho para reconstruir a vida.
Pessoas que viveram nas ruas de Macapá ganharam uma oportunidade de recomeço por meio da Rede Pop Rua Jud. Durante a programação no Parque de Exposições da Fazendinha, participantes do projeto atuam nos serviços de limpeza e reforçam histórias de superação, autonomia e inclusão social.
Implementada pelo Tribunal de Justiça do Amapá com base na Resolução nº 425 do Conselho Nacional de Justiça, a iniciativa articula órgãos públicos e entidades da sociedade civil para facilitar o acesso a saúde, documentação, moradia, assistência social e emprego.
Liderado pelo juiz Marconi Pimenta, o trabalho inclui busca ativa, escuta empática, círculos de construção de paz e encontros da Sexta Restaurativa. As demandas apresentadas são encaminhadas às instituições parceiras.
“Nossa finalidade é unir organizações governamentais e não governamentais para transformar a realidade da população em situação de rua em Macapá. Buscamos fortalecer as iniciativas existentes por meio de parcerias, sem substituir as responsabilidades do Estado”, destacou Marconi Pimenta.
Entre os beneficiados está Ilma Gomes de Almeida, de 44 anos, que passou cerca de 16 anos nas ruas. Ela conheceu a Rede por indicação de amigos, procurou ajuda e, há aproximadamente dois anos, participa das atividades.
“Eu dormia nas praças porque não tinha abrigo. Soube do projeto, procurei ajuda e fui acolhida. Hoje moro com meu companheiro, trabalho e estamos construindo nossa vida aos poucos”, contou Ilma.
Gleisson dos Santos Moreira, de 50 anos, viveu uma década nas ruas e passou 14 anos no sistema prisional em decorrência da dependência química. Com o apoio recebido, deixou as drogas, retomou o contato com os quatro filhos e passou a trabalhar com limpeza e serviços gerais.
“As drogas mudaram minha forma de pensar, afastaram minha família e destruíram parte da minha vida. Depois que entrei no movimento, consegui abandoná-las e me aproximar novamente dos meus filhos”, relatou Gleisson.
Natural de Manaus, Jaqueline Ribeiro Miranda passou 21 anos nas ruas. Mãe de seis filhos, enfrentou a depressão após perder um deles em consequência das drogas. Hoje, mora em uma casa de apoio, recebe acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps), trabalha e planeja cursar Direito.
“Enfrentei momentos muito difíceis e minha família se afastou, mas encontrei acolhimento e comecei a cuidar da minha saúde. Agora estou trabalhando, tenho pessoas que considero minha família e esperança de construir uma vida diferente”, afirmou Jaqueline.
As trajetórias mostram que o acesso ao trabalho representa mais do que renda: promove autonomia, recupera a autoestima e abre novas perspectivas. A articulação entre instituições públicas e sociedade civil também contribui para que essa população seja ouvida e participe da construção de soluções.
*Talismã Comunicação
Fotos: Adriano Monteiro
Assessora: Mônica Silva
Contato: (96) 9 81389259*
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