Governo do Amapá reúne atendimento especializado e ações de saúde nos territórios indígenas
Atuação da Sesa integra atendimento hospitalar, assistência especializada e ações itinerantes realizadas em parceria com as comunidades e o Dsei.
No Dia Internacional dos Povos Indígenas, celebrado no domingo, 9 de agosto, o Governo do Amapá destacou as ações desenvolvidas para ampliar o acesso da população indígena aos serviços de saúde, tanto nos territórios quanto na rede estadual de média e alta complexidade.
A estratégia reúne atendimento hospitalar, assistência especializada, ações itinerantes e iniciativas que consideram as especificidades culturais e territoriais dos povos indígenas.
A política estadual de atenção à saúde indígena é executada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), com a Coordenação Estadual de Saúde Indígena (Coesi) que atua com Núcleo de Saúde Indígena (Nesi) nos hospitais de referência.
A estrutura tem como referência as três regiões de saúde que concentram povos indígenas atendidos pelo Estado, abrangendo as terras indígenas de Oiapoque, Pedra Branca do Amapari e parte do território Tumucumaque, com uma população superior a 15 mil indígenas.
A atuação da rede estadual ocorre de forma complementar ao trabalho desenvolvido pelo Governo Federal, por meio do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Amapá e Norte do Pará e da Casa de Saúde Indígena (Casai).
Enquanto o DSEI organiza principalmente as ações de atenção básica e assistência nos territórios, a rede estadual atua na média e alta complexidade, garantindo acesso a consultas e procedimentos especializados, exames, atendimento hospitalar e acompanhamento dos pacientes encaminhados para outros níveis de atenção.
Nas unidades estaduais de Macapá, Oiapoque e Pedra Branca do Amapari, a Sesa mantém equipes voltadas ao acompanhamento da população indígena. O atendimento também conta com intérpretes de línguas indígenas, incluindo Waiãpi, Galibi-Marworno e Palikur, como forma de facilitar a comunicação entre pacientes, familiares e profissionais de saúde.
Segundo a Coordenação Estadual de Saúde Indígena, a presença das equipes nas unidades hospitalares permite acompanhar o paciente desde a chegada ao serviço até os encaminhamentos necessários, contribuindo para a continuidade do cuidado e para a compreensão das particularidades culturais de cada povo.
Além da assistência dentro da rede hospitalar, o Governo do Amapá tem ampliado a realização de ações diretamente nas comunidades. As atividades são planejadas a partir das demandas apresentadas pelas próprias lideranças indígenas e executadas em parceria com o Dsei, levando profissionais e serviços para localidades de difícil acesso.
Entre os territórios que já receberam ações estão as aldeias Kumarumã, Kumenê, Espírito Santo, comunidades Waiãpi e Bona, além de outras localidades indígenas do estado. Os mutirões itinerantes reúnem equipes multiprofissionais e podem incluir atendimentos médicos, odontológicos, de enfermagem, fisioterapia, assistência psicológica, exames, dispensação de medicamentos e atividades de educação e promoção da saúde.
Uma das estratégias adotadas pelo Estado foi ampliar a oferta de serviços especializados dentro dos próprios territórios. Pela primeira vez, comunidades indígenas de Oiapoque e da região do Tumucumaque receberam profissionais e equipamentos para a realização de exames laboratoriais e de imagem, incluindo ultrassonografia.
As ações possibilitaram mais de 5 mil atendimentos, aproximando serviços especializados de comunidades que enfrentam longas distâncias e dificuldades de deslocamento até os centros urbanos.
A iniciativa também contribui para a organização do fluxo de atendimento. Quando um paciente precisa de um serviço que não está disponível no território, a equipe responsável pelo acompanhamento pode realizar o encaminhamento para a rede estadual, permitindo que o atendimento especializado seja organizado antes da chegada do paciente ao município de referência.
Odontologia especializada tem vagas reservadas
Outra frente de atuação está na assistência odontológica especializada. Desde 2023, a rede estadual mantém vagas específicas para a população indígena nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEO).
Todas as sextas-feiras são disponibilizadas vagas destinadas aos pacientes indígenas encaminhados pelas equipes do DSEI. Dessa forma, o usuário que precisa de atendimento especializado já chega à unidade com o encaminhamento e a referência organizada, reduzindo etapas e facilitando o acesso ao serviço.
A medida integra a organização do fluxo entre a atenção básica realizada nos territórios e a assistência especializada ofertada pelo Estado.
Projetos consideram especificidades culturais
A atuação da Sesa também inclui projetos voltados à continuidade do cuidado após o atendimento hospitalar. "No Hospital Estadual de Oiapoque, por exemplo, está em execução uma iniciativa voltada ao acompanhamento de pacientes indígenas que necessitam dar continuidade ao tratamento, incluindo assistência fisioterapêutica após a alta" , explicou a coordenadora.
Em Macapá, a proposta de organização do fluxo também contempla a saúde mental intercultural, com ações voltadas à população indígena e atenção às características culturais dos diferentes povos.
"A proposta é estruturar o atendimento de forma que o cuidado em saúde considere não apenas a necessidade clínica do paciente, mas também sua realidade social, territorial e cultural", concluiu.
Atendimento dentro das comunidades
Uma das ações mais recentes ocorreu durante o II Festival Cultural Galibi-Marworno, realizado na Aldeia Tukay, em Oiapoque. Entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, uma equipe multiprofissional da Sesa participou da programação e levou atendimento diretamente às aldeias Tukay e Ywawka.
A ação contou com consultas médicas, atendimento de enfermagem, assistência psicológica, fisioterapia, dispensação de medicamentos, orientações às mães, rodas de conversa com jovens e atividades de promoção da saúde. A equipe também prestou suporte durante as atividades esportivas e culturais do festival.
Para a coordenadora estadual de Saúde Indígena da Sesa, Alessandra Macial, a realização das ações dentro dos territórios fortalece a aproximação entre os serviços públicos e as comunidades.
“É um momento importante de integração entre os povos indígenas e de aproximação dos serviços de saúde, levando atendimento dentro do território e respeitando a cultura e o modo de vida das comunidades”, destacou Alessandra.
A experiência reforça uma das estratégias adotadas pelo Governo do Amapá: ampliar o acesso aos serviços de saúde sem retirar a atenção do território como espaço central de cuidado.
Rede estadual atua em conjunto com a atenção nos territórios
A assistência à população indígena é organizada a partir da atuação complementar das diferentes esferas do Sistema Único de Saúde (SUS). Nas comunidades, o DSEI atua na atenção básica e no acompanhamento contínuo das famílias indígenas, enquanto a rede estadual recebe os pacientes que necessitam de serviços de média e alta complexidade.
Nesse fluxo, a Sesa participa desde a organização da referência para consultas e exames especializados até o atendimento hospitalar e o acompanhamento dos pacientes nas unidades estaduais.
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