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SEGURANÇA ALIMENTAR

Governo do Amapá lança chamada pública de R$ 718,9 mil para levar alimentos da agricultura familiar a escolas indígenas e quilombolas

Iniciativa vai atender 7.411 estudantes de 77 escolas estaduais, fortalecer a renda dos produtores e valorizar a cultura alimentar das comunidades tradicionais.

Por Marcio Bezerra
31/07/2026 15h18
Lançamento da chamada pública reuniu produtores locais, representantes da educação e integrantes das comunidades tradicionais

O Governo do Amapá lançou, nesta sexta-feira, 31, uma chamada pública para a compra de alimentos da agricultura familiar destinados a escolas indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais da rede estadual de ensino.

O lançamento ocorreu na Escola Quilombola Estadual Daniel de Carvalho, na comunidade Santo Antônio da Pedreira, em Macapá. Coordenada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), a iniciativa vai atender 7.411 estudantes de 77 escolas, com investimento de R$ 718.985,28 em recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) não executados em anos anteriores.

Mais do que ampliar a oferta de alimentos frescos e regionais, a ação cria oportunidades de renda para agricultores familiares, pescadores e produtores das próprias comunidades atendidas.

Para o secretário adjunto de Políticas de Educação do Amapá, Cleiberton Souza, a chamada pública aproxima a alimentação escolar da realidade cultural e alimentar dos estudantes.

Secretário adjunto de Políticas de Educação, Cleiberton Souza

“Além de garantir uma alimentação saudável, estamos levando para a escola alimentos que fazem parte da rotina e da cultura dos alunos, como peixe, açaí, bacaba, farinha e frutas locais. É uma alimentação que eles conhecem e que faz parte do paladar das comunidades”, destacou o secretário.

Compra direta reduz perdas no campo

Na prática, a compra direta ajuda a reduzir a presença de intermediários, melhora as condições de comercialização e evita que alimentos produzidos nas comunidades sejam desperdiçados por falta de compradores.

João Décio Sousa Lima, presidente da Associação dos Moradores e Agricultores da Comunidade da Ressaca da Pedreira (Amacrep), conhece essa realidade de perto. Além de representar os produtores da comunidade, ele também vive da agricultura.

Presidente da Amacrep, João Décio Sousa

“Antes, muitas vezes, a gente voltava da feira com os produtos porque não conseguia vender. Esses alimentos acabavam estragando, e o produtor perdia até a vontade de continuar produzindo. Com um programa como esse, conseguimos agregar valor, evitar perdas e ter lucro com o nosso trabalho”, relatou.

Para João Reginaldo, agricultor do Assentamento Santo Antônio da Pedreira, a chamada pública representa mais uma oportunidade de comercialização para as famílias que vivem da agricultura.

Agricultor João Reginaldo

“Para nós, agricultores, é uma oportunidade muito satisfatória. Dependemos da renda da agricultura e trabalhamos para plantar, colher e vender. Ter mais um espaço para entregar a produção representa melhoria de vida e mais condições para cuidar da nossa casa e do nosso dia a dia”, declarou.

Alimentos regionais no cardápio escolar

A chamada pública prevê a aquisição de 33 tipos de produtos, considerando a sazonalidade e a produção disponível em cada região.

Entre os alimentos estão abacaxi, mamão, melancia, banana, açaí, bacaba, cupuaçu, macaxeira, cará, jerimum, alface, couve, chicória, farinha de mandioca, goma e farinha de tapioca, castanha-do-pará, peixe regional, galinha caipira, ovos e polpas de frutas.

A estimativa de aquisição inclui:

  • 38 toneladas de frutas
  • 22 toneladas de legumes
  • 21 mil maços de verduras
  • 9 toneladas de polpas de frutas
  • 15 mil litros de açaí e bacaba
  • 7 toneladas de farinhas
  • 1,8 tonelada de castanha-do-pará
  • 14,8 toneladas de proteínas
  • 37 mil ovos

Os alimentos serão destinados a 24 escolas quilombolas localizadas em Macapá e Santana e a 53 escolas indígenas distribuídas pelos municípios de Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari e Oiapoque.

As unidades atendem estudantes das etnias Waiãpi, Tiriyó, Apalai, Palikur, Karipuna e Galibi Marworno. Além de garantir alimentos frescos e nutritivos, a proposta busca respeitar os hábitos alimentares e as tradições das comunidades indígenas e quilombolas.

A chamada terá vigência de 12 meses, permitindo o fornecimento contínuo de produtos da agricultura familiar para as escolas contempladas.

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ÁREA: Educação