'A nossa vida merece ser celebrada, não julgada', afirma ativista durante a 26ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+
Em meio às cores, à música e à multidão que tomou conta da orla de Macapá, uma história ganhou destaque e traduziu o verdadeiro significado da festa: a de Chicandreg.
Conteudista em uma empresa de comunicação, estudante de Licenciatura em Teatro pela Universidade Federal do Amapá (Unifap) e artista em formação, Chicandreg carrega na trajetória a força da representatividade. Para ele, ocupar espaços é, antes de tudo, um ato político.
"É importante ter corpos como o meu dentro da academia, dentro da educação. Eu vou formar outras pessoas, outras crianças. Isso também é transformação", afirma.
Natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, Chicandreg encontrou em Macapá um território de contrastes. Se, por um lado, ainda reconhece desafios semelhantes aos vividos no interior nordestino, como o preconceito e os olhares julgadores, por outro destaca o acolhimento e a construção de uma rede de apoio que fortalece sua caminhada.
"É uma terra que me acolheu muito. Aqui consegui construir uma comunidade forte, com pessoas que lutam todos os dias para que a gente exista e resista", ressalta.
A Parada, que chegou à sua 26ª edição, simboliza justamente essa trajetória de continuidade, resistência e conquistas. É um espaço coletivo onde histórias como a de Chicandreg deixam de ser invisibilizadas para ocupar o centro da cena.
"Quando eu nasci, nem existia Parada aqui. Hoje, ver tanta gente na rua, celebrando, sem confusão, apenas sendo quem é... isso é muito forte", diz.
Neste ano, o tema reforçou ainda mais o caráter político do movimento, especialmente em um contexto de debates públicos e decisões que impactam diretamente a população LGBTQIAPN+. Para Chicandreg, a mensagem é também um convite à consciência e à participação social.
"A resistência é o nosso forte. A gente precisa observar quem realmente luta por nós durante todo o mandato, não só em período eleitoral", disse.
Além da celebração, a Parada também se consolida como um espaço de reconhecimento das políticas públicas e de incentivo à cultura e à arte, pilares fundamentais para promover inclusão, cidadania e valorização da diversidade.
Em Macapá, a Parada segue cumprindo esse papel: dar visibilidade, fortalecer vozes e reafirmar que existir, ocupar espaços e celebrar a própria identidade também são formas de resistência.
Foi com esse sentimento que Chicandreg resumiu o significado de participar da festa.
"A nossa vida merece ser celebrada, não julgada."
Secretaria de Estado da Comunicação
Sanderson Dias (96) 98112-9739
Fotos: Sal Lima
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