Governador Clécio lança programa +Vacina e amplia imunização em Macapá: ‘para chegar às pessoas e salvar vidas’
Iniciativa do Governo do Amapá prevê microplanejamento, vacinação itinerante e ações em diferentes pontos da capital para ampliar a imunização de crianças, gestantes e idosos.
Diante do aumento dos casos de síndromes respiratórias e da alta ocupação dos leitos hospitalares, o governador Clécio Luís lançou, nesta sexta-feira, 3, o programa +Vacina, uma força-tarefa para ampliar a cobertura vacinal em Macapá. Durante 120 dias, equipes de saúde percorrerão bairros da capital em ações de busca ativa para imunizar grupos prioritários, como crianças, gestantes e idosos, com o objetivo de reduzir casos graves, internações e óbitos.
"É um programa extraordinário, pois a vacinação é uma atribuição da atenção básica e responsabilidade dos municípios, mas o Estado vai ajudar todos, sem exceção. Assim, podemos chegar à casa das pessoas, salvar vidas e aumentar a cobertura vacinal em todo o Amapá. O foco inicial é Macapá, onde a situação é mais grave. Há três meses, nossos hospitais registram taxa de ocupação dos leitos sempre acima de 90%", enfatizou Clécio Luís.
A iniciativa, coordenada pela Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) e financiada com recursos de emenda parlamentar do deputado federal Dorinaldo Malafaia, será executada por meio de visitas domiciliares e ações de vacinação em creches, Unidades Básicas de Saúde (UBSs), maternidades, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e espaços comunitários.
“O modelo passivo de vacinação, em que se espera que o cidadão vá até o posto de saúde, já se mostra pouco eficiente, porque as pessoas trabalham, têm limitações de locomoção e, muitas vezes, não conseguem levar a criança para vacinar. Com o +Vacina, levamos a vacina até a casa das pessoas. Isso é o mais importante: um método eficiente, reconhecido cientificamente e agora incorporado como programa”, afirmou Dorinaldo Malafaia.
Serão ofertadas vacinas contra a influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR), com prioridade para crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes e pessoas com 60 anos ou mais, grupos que apresentam maior risco de desenvolver complicações decorrentes de doenças respiratórias.
As equipes, compostas por enfermeiro, técnico de enfermagem, agente comunitário de saúde e profissional administrativo, realizarão a aplicação das doses durante a própria visita, sempre que possível. Quando necessário, os usuários serão encaminhados à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
“A população vai receber, em suas casas, equipes uniformizadas, identificadas, com experiência e segurança para realizar a vacinação. Que essas equipes sejam recebidas com carinho pela população, porque isso é para o bem dela mesma. Saúde e vacinação caminham juntas. Vacinar é bom e protege a todos”, incentivou o governador Clécio Luís.
Força-tarefa na saúde pública
O programa +Vacina utiliza a metodologia de microplanejamento, que permite identificar áreas com menor cobertura vacinal, maior vulnerabilidade social e maior concentração de crianças, gestantes e idosos. A partir desse mapeamento, as equipes conseguem atuar de forma mais direcionada e eficiente na ampliação da imunização.
Nos primeiros 30 dias, as equipes municipais realizarão o cruzamento de dados dos sistemas e-SUS APS e SI-PNI para identificar eletronicamente as microáreas prioritárias. Essas informações orientarão o planejamento das ações e a distribuição das equipes em todo o território.
O cenário epidemiológico reforça a necessidade da estratégia. A cobertura vacinal contra a influenza segue abaixo do esperado nos municípios mais populosos do estado, com índices de 41,99% em Macapá e 43,30% em Santana.
“Onde a cobertura vacinal está mais baixa é onde há o maior número de casos de síndrome respiratória aguda grave. Esses dados estão correlacionados e são comprovados por evidências dos estudos epidemiológicos e pelos nossos levantamentos”, afirmou a superintendente de Vigilância em Saúde do Amapá, Cláudia Pimentel.
Macapá concentra o maior número de casos de vírus respiratórios, com cerca de 340 registros de rinovírus, 313 de vírus sincicial respiratório (VSR) e 195 de influenza A. Em Santana, foram registrados 127 casos de VSR, 105 de rinovírus e 35 de influenza A. Já em Oiapoque, a influenza A apresenta maior incidência, com quase 100 notificações.
O vírus sincicial respiratório (VSR) é apontado como a principal preocupação entre especialistas, especialmente pelo impacto em crianças menores de dois anos. No Amapá, foram registrados 390 casos em crianças com menos de 12 meses.
A pressão sobre a rede hospitalar também evidencia o avanço das síndromes respiratórias. O Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) conta com 182 leitos ativos, dos quais 174 estão comprometidos operacionalmente, sendo 139 ocupados e 35 reservados. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas, a taxa de ocupação chega a 92,9% na UTI 1 e a 85% na UTI 2.
Somente o HCA responde por 380 internações relacionadas ao VSR, o equivalente a cerca de 58% de todas as notificações registradas no estado.
Diante desse cenário, o programa busca ampliar a cobertura vacinal nos municípios prioritários e reforçar a proteção dos grupos mais vulneráveis. A estratégia visa reduzir a circulação dos vírus respiratórios, com impacto direto na diminuição dos casos graves e da pressão sobre a rede hospitalar.
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