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DOS CÉUS DO AMAPÁ À MEMÓRIA NO CHÃO

'Aguçar a imaginação e o sentimento de pertencimento e amor pelo Amapá', diz governador Clécio no translado do avião Bandeirante pelas ruas de Macapá

Alunos e população acompanham passagem da aeronave em um percurso que conecta memória, história e identidade entre antigas e novas gerações.

Por Winicius Tavares
21/05/2026 17h18
Clécio Luís afirmou que a ação já se tornou um fato histórico e reforça o sentimento de pertencimento do povo amapaense

Um avião nas ruas de Macapá em 2026. Não é uma volta no tempo, mas um resgate histórico da identidade do Amapá. Assim avaliou o governador Clécio Luís o translado da aeronave Bandeirante, responsável por mais de 200 missões governamentais entre 1979 e 1998, que “decolou” por terra nesta quinta-feira, 21, do Hangar do Governo e “pousou” no Parque Residência, onde passará a integrar o acervo histórico e cultural do local.

“É algo tão importante que já se tornou um fato histórico. A criançada que viu adorou. E é isso que nós queremos: aguçar a criatividade, a imaginação e o sentimento amapaense, esse sentimento de pertencimento e amor pelo Amapá. Tudo isso será contado pelo avião, pelo vagão da Icomi, pela residência e pelos objetos que compõem esse espaço, reunindo histórias desde a década de 1940 até os dias atuais”, enfatizou Clécio Luís.

Segundo o governador, a iniciativa busca estimular a criatividade e a imaginação das novas gerações a partir da memória do estado

O percurso de mais de três quilômetros passou por vias históricas, como a Avenida FAB, utilizada como pista de pouso e decolagem nas décadas de 1940 e 1950, quando funcionava como o primeiro aeroporto da cidade, e chamou a atenção da população, principalmente dos alunos das escolas estaduais Antônio João, Gabriel Almeida Café, Antônio Cordeiro Pontes e Barão do Rio Branco, que acompanharam a passagem da aeronave com entusiasmo.

Alunos de escolas estaduais acompanharam o deslocamento da aeronave e interagiram com o momento histórico nas ruas de Macapá

A aluna Andrezza Ferreira, de 16 anos, estudante do 2º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Gabriel Almeida Café, viveu uma experiência única ao ver o Bandeirante passar em frente à unidade de ensino. Sem acreditar na cena, foi acompanhar de perto com os amigos e, já próxima da aeronave, chegou a subir em uma das asas, com o acompanhamento de agentes de segurança, sendo ovacionada pelas pessoas ao redor.

A estudante Andrezza Ferreira viveu uma experiência inédita ao ver o avião de perto e chegar a subir em uma das asas

“Foi algo totalmente novo para mim. Em todas as escolas em que estudei, nunca vivi a experiência de ver um avião passando em frente à escola. E ter a oportunidade de ser escolhida para ficar em cima da asa foi incrível, a melhor experiência da minha vida. Quando ele estiver no Parque Residência, quero muito visitá-lo e conhecer mais sobre a história dele”, contou Andrezza.

Enquanto para os mais jovens o sentimento foi de entusiasmo, para os mais velhos a experiência foi marcada pela nostalgia. O professor e coronel da Polícia Militar do Amapá, Armando Alves Júnior, que foi ajudante de ordens do ex-governador Aníbal Barcelos entre 1987 e 1990, relembrou sua trajetória a bordo da aeronave Bandeirante, na qual participou de diversas missões dentro do Amapá e em outras regiões do Brasil em apoio ao desenvolvimento do estado.

O professor e coronel Armando Alves relembrou missões a bordo da aeronave entre 1987 e 1990, ao lado do então governo estadual

“Dentro destas asas, dentro da cabine desta aeronave, muitos planejamentos foram conduzidos para que pudéssemos chegar onde estamos hoje, com um estado em desenvolvimento, tendo à frente o governador Clécio Luís. Ele está de parabéns pela homenagem e pelo registro de uma parte importante da história do nosso antigo Território Federal, hoje o nosso estado”, afirmou Alves.

Dos céus do Amapá à memória no chão

O avião Bandeirante chegou ao Amapá em 1981, incorporado ao serviço aéreo do então Território Federal do Amapá. A aeronave foi adquirida por meio de doação, em uma articulação institucional junto ao Ministério do Interior, representado por Mário Andreazza, e pelo governador do Território, Aníbal Barcelos.

Produzido pela EMBRAER, o Bandeirante é um turboélice bimotor. No Amapá, recebeu o prefixo FDL (Fox Delta Lima), possui envergadura de 14 metros e fuselagem de 22 metros. Por ser uma versão executiva, comporta dois pilotos e apenas sete passageiros. A aeronave foi amplamente utilizada em missões administrativas e de apoio à saúde no interior do estado até seu último voo, no fim da década de 90.

Para jovens, o momento foi de encantamento; para veteranos, de memória e nostalgia sobre a atuação do Bandeirante no estado
A aeronave Bandeirante realizou mais de 200 missões governamentais entre 1979 e 1998 no apoio ao desenvolvimento do Amapá

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