Governo do Amapá fortalece ancestralidade com o ritual da Murta no Ciclo do Marabaixo 2026
Evento une fé e tradição nos barracões do Laguinho, reafirmando o compromisso do Estado com as políticas de igualdade racial e a valorização da identidade afro-amapaense.
O Governo do Estado do Amapá reafirma o compromisso com a valorização das raízes africanas e a preservação do patrimônio imaterial ao apoiar o Ciclo do Marabaixo 2026. Neste dia 13 de maio, a celebração alcançou um de seus momentos mais simbólicos: a Quarta-feira da Murta, ritual que une gerações em louvor ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade nos barracões das famílias de Mestre Pavão e Tia Biló, no histórico bairro do Laguinho.
Com o patrocínio da Fundação Marabaixo e da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), o ciclo não é apenas uma manifestação religiosa, mas um ato político de resistência e respeito à memória dos afrodescendentes. O ritual envolve a colheita da murta, folhas utilizadas para limpeza espiritual, em comunidades tradicionais como o Quilombo do Curiaú e o distrito do Coração, descendências diretas do pioneiro Julião Ramos.
Para Daniel Ramos, gerente de núcleo de políticas de igualdade racial, o momento simboliza a renovação de um compromisso histórico com a identidade do povo.
“Hoje é a quarta-feira da murta, onde enfeitamos os mastros com as cores vermelha e branca, que representam o Divino Espírito Santo. O ritual começou com a busca e o cortejo da murta pelas ruas do Laguinho, e seguirá com o Marabaixo a noite toda até o amanhecer de quinta-feira. Segundo a história, a murta representa as primeiras ramas encontradas pela pomba da Santíssima Trindade após a arca de Noé, simbolizando um novo começo”, explicou Daniel Ramos.
A festividade, que integra o calendário litúrgico entre a Semana Santa e Corpus Christi, transforma o som das caixas e os “ladrões” de Marabaixo em um grito de afirmação cultural. Para os detentores desse saber ancestral, o apoio estatal é fundamental para que a tradição continue pulsando no coração da Amazônia.
Gerson Ramos, representante da quarta geração da família do Mestre Pavão, destaca o impacto emocional e social da celebração.
“Estamos comemorando a quarta-feira da murta e, às 6 da manhã, iremos levantar o mastro em homenagem ao Divino Espírito Santo. Ter esse evento no barracão é uma dádiva. Como terceira geração levantando nossa cultura, vejo isso como um marco da nossa festividade, porque o Marabaixo é genuinamente a nossa verdadeira identidade”, afirmou Gerson Ramos.
Ciclo do Marabaixo 2026
A programação segue intensa nos próximos dias. Após os rituais da Quarta-feira da Murta e o levantamento dos mastros nos barracões tradicionais, as ladainhas em louvor ao Divino Espírito Santo continuam até o dia 22 de maio, dando sequência aos festejos da Santíssima Trindade, que seguem até o encerramento do calendário, em 7 de junho.
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