Sino da vitória ecoa histórias de dor, fé e recomeço no Centro de Radioterapia do Amapá
Quatro pacientes tiveram alta do tratamento contra o câncer nesta quarta-feira, e se emocionam ao se despedirem das equipes que os acolheram com muito amor.
Quatro nomes, quatro diagnósticos, quatro medos diferentes. Na tarde de quarta-feira, 22, essas histórias se alinharam em um único compasso: o badalar do “sino da vitória” no Centro de Radioterapia do Amapá. O gesto, simples, marca o fim do tratamento clínico. Mas para quem ouve de perto, ele diz mais. Fala de noites mal dormidas, de mãos seguradas na sala de espera, de profissionais que trocaram a frieza do jaleco pelo calor do acolhimento… que ali, a cura também passou pelo humano.
Quatro pacientes, quatro caminhos marcados por desafios intensos. Dona Ana Cláudia Chagas e Arilene Quintela Coutinho, ambas com câncer de mama, transformaram a experiência do tratamento em uma conexão de força e esperança compartilhada. Já Waldir da Silva Nobre e Marivaldo Abreu enfrentaram, cada um à sua maneira, a segunda batalha contra a doença — trazendo consigo não apenas cicatrizes, mas uma nova compreensão sobre a vida, a família e o tempo.
Ana Cláudia, técnica de enfermagem de 54 anos, relembra o percurso entre o diagnóstico e a cura como uma jornada de fé. “Eu orei para que cada etapa fosse conduzida por Deus. E deu tudo certo. Aqui, a gente é muito bem tratada, desde a portaria. É um lugar de amor”, afirmou. Em outro momento, ela reforça o impacto do acolhimento: “Não deixa a desejar para nenhuma instituição privada. Aqui é carinho, é cuidado, é humanidade”.
Arilene, professora da zona rural de Afuá, também encontrou no centro um espaço de recomeço. “No começo, tive medo, mas nunca perdi a esperança. Eu sabia que um dia iria tocar esse sino”, disse, emocionada. Para ela, a possibilidade de realizar o tratamento perto da família foi decisiva: “Isso foi muito importante no meu processo. Foi gratificante. Eu só tenho a agradecer”.
Se para elas o sino representa a cura, para Waldir e Marivaldo ele simboliza continuidade — a chance de seguir com mais qualidade de vida e novos olhares sobre a própria existência.
Waldir enfrentou, há dez anos, um câncer na laringe que o fez perder as cordas vocais. Agora, após um novo tumor na base da língua, voltou ao tratamento e, novamente, encontrou forças para seguir. A família relembra o impacto da segunda notícia: “Ele já estava praticamente recebendo alta quando veio esse novo diagnóstico. Foi muito difícil, mas a esperança se renova”.
Confiança e força
Marivaldo, por sua vez, também encara a segunda experiência com a doença. Após vencer umcâncer na garganta, foi surpreendido por um novo tumor em uma região delicada do tórax. Ainda assim, mantém a confiança.
“Se Deus quiser, eu vou viver. A gente precisa divulgar e valorizar esse serviço, porque é um bem para todos nós”. Em outro momento, ele destaca o impacto da estrutura no estado: “Antes, eu tive que ir para Belém. Longe da família, o sofrimento é maior. Hoje, temos isso aqui. Isso muda tudo”.
Apesar das diferenças nos desfechos clínicos, os quatro relatos se encontram em um ponto comum: o Centro de Radioterapia do Amapá como um espaço de acolhimento, onde o cuidado emocional caminha junto ao tratamento médico. Um ambiente onde vínculos são criados e onde cada alta é celebrada como uma vitória coletiva.
Marco de recomeço
O momento do sino da vitória é o ápice dessa jornada. A cada paciente que conclui o tratamento, a equipe prepara uma despedida especial, com mensagens, música e palavras de encorajamento — um ritual que transforma a alta em um marco de recomeço.
“Esse momento foi surgindo naturalmente. A gente cria vínculo com os pacientes, acompanha cada etapa. Então, quando chega a alta, sentimos que precisa ser algo especial”, explica a técnica de enfermagem Cleziane Damasceno.
“Nem todos vêm com perspectiva de cura, alguns estão em tratamento paliativo. Mas todos precisam de acolhimento, de amor, de dignidade. E é isso que a gente tenta oferecer todos os dias”, explica.
Emoção à flor da pele
Ela também revela o impacto emocional na equipe: “Tem momentos que a gente segura, tem momentos que não consegue. Porque a gente vive junto com eles. E quando chega esse momento, é uma mistura de alegria e emoção”.
Inaugurado em dezembro do ano passado, o Centro de Radioterapia do Amapá já garantiu 190 consultas, conta com 44 pessoas em tratamento e concedeu alta a 60 pacientes — pessoas que hoje retomam suas rotinas carregando não apenas o alívio do tratamento concluído, mas a certeza de que, nos momentos mais difíceis, não estiveram sozinhas. Saem com a marca de um cuidado que ultrapassa protocolos e reafirma o compromisso com a vida, com dignidade, respeito e humanidade.
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