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Barcos que transformam rotinas: agricultores e pescadores de Porto Grande ganham tempo, renda e dignidade

Com kits de embarcação entregues pelo Governo do Amapá, trabalhadores encurtam distâncias, aumentam a produção e fortalecem a vida em família.

Por Cristiane Mareco
16/04/2026 18h15
Os kits de embarcação entregues pelo Governo do Amapá já transformaram a realidades e fortalecer a vida de quem encontra no rio seu sustento

O dia ainda nem clareou em Porto Grande, no interior do Amapá, e o movimento já começava às margens do rio. Redes são organizadas, motores preparados, e homens e mulheres seguem para mais uma jornada de trabalho. Durante décadas, essa rotina foi marcada por esforço extremo e longas horas de deslocamento a remo. 

Hoje, com os kits de embarcação entregues pelo Governo do Estado, essa realidade começa a mudar e, com ela, a vida de quem depende do rio para sobreviver.

Por muito tempo, chegar ao local de trabalho exigia resistência física e paciência. O agricultor e pescador Marconi de Jesus conhece bem essa realidade.

“Pra chegar no nosso terreno, que fica a 24 quilômetros de Porto Grande, a gente ia remando. Levava cerca de 12 horas”, relembra.

Agricultor Marconi de Jesus

O trajeto, além de longo, variava conforme a força das águas. No inverno, o rio impunha ainda mais dificuldade. “A água corria muito forte. Era mais perigoso e mais cansativo”, conta Marconi.

Hoje, o cenário é outro. Com a embarcação motorizada, o tempo de deslocamento caiu drasticamente. “Agora a gente chega em menos de uma hora. Mudou completamente a nossa vida”, afirma o agricultor.

A mudança não é apenas no tempo é também na possibilidade de produzir mais e viver melhor. “A gente trabalha mais, produz mais e consegue tirar um pouco mais de renda”, completa.

História semelhante vive o pescador Francineldo da Silva, que há mais de três décadas tira do rio o sustento da família. Antes, o limite da pesca era imposto pelo próprio corpo. "A gente ia de canoinha, no remo. Não dava pra ir muito longe”, lembra.

Agricultor Francineldo da Silva

Com o tempo, ele conseguiu uma pequena rabeta, mas ainda enfrentava horas de viagem. “Levava de três a quatro horas pra chegar”, diz Francineldo 

O impacto vai além do trabalho. Dentro de casa, a mudança também é sentida. A esposa passou a dividir as tarefas e ajudar na condução da embarcação. “Virou um trabalho em conjunto. Ficou menos pesado”, conta.

Entre tantas histórias, a de uma agricultora ribeirinha resume gerações de resistência. Nascida e criada na região, ela viu a família crescer entre o rio e a roça. “Meus pais e meus avós são todos daqui. A gente sempre viveu da agricultura e da pesca”, relata Sandra.

Agricultora Sandra Pereira

 Sem condições de adquirir uma embarcação, a única alternativa era o remo. Foi assim que ela criou os 12 filhos. “Criei todos nessa rotina”, diz.

Hoje, com acesso à embarcação a produção aumentou, e isso melhora a nossa renda”, completa Jocivaldo.

A iniciativa é acompanhada pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Amapá (Rurap), que presta assistência técnica aos trabalhadores. Segundo o chefe de escritório de Porto Grande, Fernando Dias, os kits são destinados a quem realmente depende da atividade rural.

“São agricultores e pescadores que vivem disso. O equipamento é uma ferramenta de trabalho e precisa ser usado dessa forma”, explica.

Equipe do Rurap em acompanhamento técnico, dentre eles, o chefe de escritório de Porto Grande, Fernando Dias (verde)

A assistência técnica alcança diversas comunidades do município, ao longo dos rios Amapari e Araguari. “Nosso trabalho é garantir apoio direto aos agricultores familiares em toda a região”, afirma.

Fernando Dias, também reforça a importância do uso correto dos benefícios. “Os kits não podem ser vendidos. São investimentos para melhorar a produção e a qualidade de vida das famílias”, orienta.

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