Governo do Amapá promove diálogo inédito com lideranças femininas indígenas para fortalecer a saúde na ponta
Em encontro histórico na Sesa, mulheres de diversas etnias apresentaram demandas por saúde especializada dentro dos territórios e a quebra de barreiras linguísticas.
A tarde desta segunda-feira, 30, na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), foi marcada por um ambiente de acolhimento e escuta ativa. Em um gesto de aproximação que rompe as barreiras burocráticas, o Governo do Amapá abriu as portas para lideranças femininas indígenas em um "chá da tarde" que simboliza um marco na gestão: a primeira vez que a secretaria estabelece uma pauta direta e exclusiva com as mulheres dos povos originários para ouvir suas necessidades reais.
As convidadas foram recepcionadas pela secretária adjunta de Atenção à Saúde, Macelir Kobayashi, que destacou o protagonismo feminino na organização das aldeias.
"Este é um momento para valorizar a mulher indígena. Fiquei muito feliz em saber que elas estão assumindo esse papel de liderança e trazendo suas vozes para a gestão. Estamos aqui para ouvir seus anseios e entender como o Governo do Estado pode fortalecer essa rede de cuidado, integrando nossos secretários em prol dessa causa", afirmou a secretária.
A articulação, conduzida pela Coordenação de Saúde Indígena (Coesi) e reuniu representantes das etnias Galibi-Marworno, Palikur, Wayana, Apalai, Tiriyó e Waiãpi, além de parceiros como a Funai, Comissão de Saúde da Mulher e Articulação dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp).
Alessandra Marcial, coordenadora da Coesi, ressaltou que o foco é levar o serviço especializado para onde a vida acontece.
"Hoje estamos em um momento de diálogo solicitado pelas lideranças para falar sobre como chegar ao território e levar saúde para as mulheres. O objetivo é fortalecer essa parceria para que a assistência seja ampliada, cuidando da saúde mental e física de forma integral, respeitando o contexto de quem vive nas aldeias e também o apoio necessário aos indígenas que estão em contexto urbano, estudando na capital", explicou Alessandra.
Comunicação sem barreiras
Um dos pontos centrais da conversa foi a superação da barreira linguística. Para a líder Dilza Palikur, o acolhimento na língua materna é fundamental para a humanização do atendimento.
"A comunicação facilita o atendimento de quem não sabe falar português. É uma barreira hoje, mas saber que temos o suporte da Coesi com intérpretes e técnicos nos hospitais nos dá segurança. As mulheres se sentem mais à vontade para compartilhar suas necessidades de saúde com outras mulheres", pontuou.
A dificuldade logística e a necessidade de equipes especializadas dentro das terras indígenas foram reforçadas por Ocita Tirió. Com o desafio de representar 51 aldeias em áreas remotas, da região do Tumucumaque paraense, ela destacou a importância do Estado levar o médico e o especialista até a comunidade.
"A doença não espera e o transporte é difícil. Estamos buscando esse apoio para que o atendimento de saúde seja mais presente e constante dentro do nosso território", relatou.
Mulher indígena como protagonista
Para Ketlle Costa, da etnia Galibi-Maruorno, a abertura deste canal de diálogo direto com a gestão é um avanço na garantia de direitos. Ela acredita que o encontro "de mulher para mulher" permite abordar temas sensíveis da saúde feminina com maior liberdade e clareza.
"É muito importante as mulheres indígenas poderem falar por si próprias, ocupando espaços de fala e garantindo que as políticas públicas cheguem com eficácia", celebrou.
Atenta, a secretária Macelir Kobayashi anotou cada demanda, comprometendo-se a inserir as solicitações no planejamento das políticas públicas de saúde, com foco em uma assistência humanizada, acessível e, acima de tudo, respeitosa às particularidades culturais.
"Este momento é extremamente importante para o fortalecimento da cultura, da liderança e da integração desses povos junto à nossa Secretaria de Saúde", finalizou Macelir.
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