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PELO FIM DO FEMINICÍDIO

'Hoje nós somos a voz da Paula; que nenhuma outra mulher seja silenciada', desabafa irmã de vítima de feminicídio na inauguração da CMB em Macapá

Familiares de Paula da Costa e da estudante de medicina Jennifer Almeida transformam o luto em militância durante a entrega do maior complexo de proteção feminina do Amapá.

Por Jamylle Nogueira
08/03/2026 17h03
A agricultora, Janaína Ruana da Costa, de 28 anos, irmã de Paula, assassinada mês passado, segura cartaz em protesto ao feminicídio.

Entre as autoridades e o público que acompanhou a inauguração da Casa da Mulher Brasileira (CMB) neste domingo, 8 de março, duas vozes se destacaram pelo peso da saudade e pela urgência por justiça. Jessie Jane Almeida e Janaína Ruana, irmãs de vítimas de feminicídios que chocaram o Amapá recentemente, transformaram a dor em um manifesto em favor da vida, vendo na nova estrutura o amparo que suas irmãs não tiveram a tempo de acessar.

Para a agricultora Janaína Ruana da Costa, de 28 anos, a ferida ainda está aberta. Sua irmã, Paula, foi assassinada há pouco mais de um mês, deixando dois filhos órfãos. Presente na cerimônia, Janaína destacou que o equipamento é uma ferramenta para que outras mulheres tenham o direito de dizer "não" e continuar vivas.

"A Paula partiu há um mês e 13 dias. Infelizmente, ela não vai poder usufruir, mas existem outras 'Paulas' por quem vamos lutar juntas. Não podemos ser silenciadas. Hoje nós somos a voz da Paula e estar aqui é garantir que a memória dela nunca seja esquecida. Precisamos que as leis sejam mais duras para parar esses covardes, porque não aguentamos mais", desabafou Janaína.

Mulheres transformam o luto em militância durante a entrega do maior complexo de proteção feminina do Amapá

A amapaense Jessie Jane Almeida da Silva, de 24 anos, também trouxe um relato emocionante sobre sua irmã, Jennifer do Socorro Almeida da Silva, que era estudante de medicina na Bolívia quando foi vítima de feminicídio. Para Jessie, a entrega da Casa no Dia Internacional da Mulher é uma vitória pública que sinaliza acolhimento real.

"É uma vitória para nós. É mostrar publicamente que nós, mulheres, somos acolhidas sim; que temos para onde correr e que podemos pedir ajuda. Esse é um marco muito grande para lutar contra o feminicídio e em prol da vida de todas as mulheres", afirmou Jessie Jane.

A amapaense Jessie Jane Almeida da Silva, de 24 anos, também trouxe um relato emocionante sobre sua irmã, Jennifer do Socorro Almeida da Silva, que era estudante de medicina na Bolívia quando foi vítima de feminicídio.

Estrutura e Atendimento Integrado

Inaugurada pelo governador Clécio Luís com investimento de R$ 7 milhões, a CMB de Macapá é a 12ª unidade do país e a maior estrutura de amparo feminino do estado. O complexo de 1.500 m² foi projetado para encerrar a "peregrinação" das vítimas entre diferentes órgãos, concentrando toda a rede de proteção em um único endereço no bairro São Lázaro, na Zona Norte.

Sob a gestão direta do Governo do Estado, a unidade funcionará 24 horas por dia, sete dias por semana, com previsão de realizar 18 mil atendimentos anuais.

O espaço oferece suporte completo, unindo as áreas de Segurança e Justiça por meio da Delegacia Especializada de Crimes Contra a Mulher (DCCM), Juizado, Defensoria Pública, Ministério Público e núcleos de Perícia Técnica. Além do rigor da lei, a Casa foca no acolhimento humanizado com apoio psicossocial contínuo, alojamento de passagem para casos de risco iminente, brinquedoteca e espaços voltados para a capacitação e autonomia econômica da mulher, consolidando o equipamento como o porto seguro definitivo para a preservação da vida das amapaenses.

A CMB de Macapá é a 12ª unidade do país e a maior estrutura de amparo feminino do estado

Serviço

Local: Casa da Mulher Brasileira
Endereço: Rua Floriano Waldeck, nº 284, bairro São Lázaro (Zona Norte de Macapá).
Funcionamento: Atendimento ininterrupto (24h).
Canais de ajuda: Em caso de emergência ou denúncia, a população pode acionar o Disque 180 ou o 190 da Polícia Militar.

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