‘Ela vai começar o treinamento para retirar a cânula e voltar a ter uma qualidade de vida’, conta irmã de paciente atendida pelo Projeto Respirar
Letícia Trindade acompanha as idas e vindas da pequena Laura, de 6 anos, na iniciativa do Governo do Amapá que oferece acompanhamento multiprofissional para a desospitalização e a retirada segura da traqueostomia.
A pequena Laura, de 6 anos, carrega no olhar a vivacidade de quem quer desbravar o mundo, mas traz no pescoço a marca de uma luta silenciosa pelo fôlego. Portadora de uma asma grave, a menina viu sua rotina mudar após sucessivas internações. Em agosto de 2025, uma crise severa a manteve 22 dias intubada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA). O procedimento salvou sua vida, mas gerou uma estenose — uma lesão na garganta que dificultou sua respiração natural.
Para Laura, a traqueostomia foi o caminho para voltar para casa, mas trouxe novos desafios para a família. A irmã, Letícia Trindade, de 23 anos, relata a angústia dos primeiros dias. Ela acompanha a pequena Laura com frequência nas consultas ao Projeto Respirar.
"A gente fica com muito medo de não escutar ela chorando, de a traqueia dela entupir. No início, a gente não tem noção de como é, mas agora ela já vai começar o treinamento para tentar retirar a cânula e voltar a ter uma qualidade de vida que ela merece, graças a esse programa do Governo do Amapá", conta Letícia, esperançosa com a evolução da irmã.
Vitórias que inspiram
A história de Laura se cruza com a de Ana Vitória, de 2 anos. Nascida prematura e enfrentando os desafios da microcefalia e hidrocefalia, a menina passou seis meses dependente do tubo após complicações pulmonares.
Na segunda-feira, 2, a família celebrou um "renascimento": a retirada definitiva da cânula no Hospital da Criança e do Adolescente (HCA). Para o pai, Edir Marinho, de 48 anos, é o fim de um ciclo de incertezas.
"Ela não conseguia ficar fora do aparelho, ficava sem respiração. Agora, graças a Deus, não deu mais problemas nem apresentou mais cansaço. A vida continua com mais força", celebra o pai, morador de Mazagão.
O acolhimento do Projeto Respirar
Coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e liderado pelo cirurgião torácico Fábio de Oliveira, o Projeto Respirar funciona todas as segundas-feiras, a partir das 16h, no HCA. A iniciativa é um porto seguro para famílias que, antes, sentiam-se desamparadas ao lidar com a complexidade de uma criança traqueostomizada.
O médico explica que o projeto não foca apenas na cirurgia, mas no suporte contínuo até que a criança possa respirar sozinha novamente.
"O projeto é voltado a todas as crianças com deformidades de via aérea. Elas recebem alta do hospital, já são encaminhadas para o ambulatório para cadastro no programa e acompanhamento até a ‘descanulação’ completa, que é a remoção total da cânula", explica o médico.
Atendimento humanizado
Segundo o especialista, a iniciativa humaniza o atendimento ao transformar o hospital em uma referência de suporte técnico e emocional.
"Antigamente, as mães eram desesperadas por não saberem para onde levar seu filho, onde receber orientação ou material. Só nisso as famílias já se sentem muito acolhidas, por ter o lugar de referência para procurar", afirma Oliveira.
Atualmente, o programa acompanha cerca de 79 crianças. Desde sua implementação oficial em novembro de 2024, sete pacientes já alcançaram a descanulação total, devolvendo a elas a autonomia para falar, brincar e, acima de tudo, respirar com liberdade.
Como acessar o Projeto Respirar
O Projeto Respirar é uma iniciativa estratégica para a reabilitação de crianças que apresentam lesões na traqueia ou nas cordas vocais — condições geralmente ocasionadas por complicações após períodos de intubação. O foco é garantir que esses pequenos pacientes recuperem a plena capacidade respiratória e a qualidade de vida.
- Onde: Ambulatório do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA).
- Quando: Todas as segundas-feiras.
- Horário: A partir das 16h.
- Público-alvo: Crianças e adolescentes traqueostomizados ou com distúrbios de via aérea que necessitam de reparo cirúrgico ou acompanhamento para retirada da cânula.
- Fluxo de Atendimento: Para facilitar a vida das famílias, não é necessário agendamento prévio. O acesso é direto: os pacientes atendidos na rede estadual são automaticamente encaminhados pelo HCA ao projeto, garantindo assistência especializada desde a alta hospitalar até a cura definitiva.
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