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CUIDADO HUMANO

Banco de Leite no Amapá alerta para alto descarte de leite materno por falta de cuidados na doação

Mesmo com número expressivo de doadoras, grande parte do leite arrecadado é inutilizada por sujidade durante a coleta e o armazenamento.

Por Karla Marques
12/01/2026 18h01
Apesar da boa adesão de mulheres à doação, da metade do leite doado é desprezado porque não passa na análise

O Banco de Leite Humano (BLH) do Hospital da Mulher Mãe Luzia, em Macapá, enfrenta um desafio preocupante: apesar da boa adesão de mulheres à doação, uma quantidade significativa do leite arrecadado acaba sendo descartada por contaminação. O problema, segundo a coordenação da unidade, está principalmente na falta de cuidados básicos durante etapas essenciais do processo, como a higiene, a coleta e o armazenamento do leite realizado em casa.

De acordo com a coordenadora do Banco de Leite Humano, Fadianne Soares, todo o leite doado passa por um rigoroso controle de qualidade antes de ser pasteurizado e distribuído aos bebês que mais precisam, especialmente recém-nascidos prematuros e internados nas unidades neonatais.

Fadianne Soares, coordenadora do Banco de Leite Humano

“Temos doação, mas infelizmente uma grande parte está sendo descartada. A equipe orienta, mas percebemos a necessidade de reforçar ainda mais as informações. Muitas perdas acontecem Sujidade e floculação, proveniente do armazenamento, quando o leite não congela totalmente, algo que pode ser evitado com cuidados simples durante a coleta”, explicou Fadianne.

Os dados dos últimos meses evidenciam o problema. Em setembro, foram recebidos 18.197 ml de leite humano cru, com aproveitamento de apenas 29,68% após a pasteurização. Em outubro, dos 47.829 ml coletados, apenas 33,6% foi aproveitado.

Em novembro, o índice caiu para 24,33%, e em dezembro chegou a 21,05%, mesmo com a entrada de mais de 55 mil ml de leite cru no laboratório. Todo o volume descartado apresentou algum tipo de sujidade, o que inviabiliza o uso seguro para os bebês.

Segundo a coordenadora, a situação impacta diretamente o abastecimento das unidades neonatais. “Estamos recebendo bastante leite, porém, mais da metade é desprezado porque não passa na análise. Isso afeta o atendimento aos recém-nascidos de baixo peso e prematuros, nosso principal público-alvo”, ressaltou a coordenadora.

Todo leite doado passa por um rigoroso controle de qualidade antes de ser pasteurizado e distribuído aos bebês que mais precisam,

Orientações para evitar o desperdício

Para reduzir as perdas, o Banco de Leite reforça orientações fundamentais em todas as etapas do processo. A coleta deve ser feita em ambiente limpo, tranquilo e sem circulação de pessoas. A higiene pessoal inclui lavagem correta das mãos, braços e mamas, além do uso de touca e máscara, fornecidas pelo próprio BLH, para evitar contaminação por gotículas de saliva ou fios de cabelo.

A extração do leite também requer atenção: antes da coleta, a mãe deve massagear as mamas com as pontas dos dedos e descartar o primeiro jato de leite. O leite deve ser coletado exclusivamente em frascos de vidro esterilizados, fornecidos pela unidade.

O armazenamento é outro ponto crítico. Os frascos precisam ser devidamente identificados com nome completo, data e horário da coleta, mantidos em sacola plástica e armazenados imediatamente no congelador. O leite pode permanecer congelado por até dez dias até a retirada pela equipe do Banco de Leite. Nunca se deve descongelar o leite para adicionar mais volume ao frasco.

O leite materno é considerado pelo Ministério da Saúde como o “alimento ouro” para os recém-nascidos

Como se tornar doadora

As mulheres interessadas em doar leite materno passam por um cadastro com informações pessoais e de saúde. Após a aprovação, recebem um kit de doação, orientações detalhadas e acompanhamento contínuo da equipe do Banco de Leite, incluindo a coleta domiciliar realizada por meio da rota especializada.

“Cada gota de leite materno é um ato de amor. Com cuidado e informação, conseguimos evitar desperdícios e salvar mais vidas”, reforçou Fadianne Soares.

Serviço

As mães interessadas em doar leite humano podem se cadastrar diretamente no Banco de Leite Humano do Hospital da Mulher Mãe Luzia, localizado na Avenida FAB, nº 1070, edifício Office Center, no Centro de Macapá, ou entrar em contato com a equipe da Rota Domiciliar pelo telefone (96) 98416-4400.

O leite materno é considerado pelo Ministério da Saúde como o “alimento  ouro” para os recém-nascidos, por ser essencial para o desenvolvimento, fortalecimento da imunidade e recuperação de bebês internados

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ÁREA: Saúde