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25/11/2011 17h15 - Atualizado em 25/11/2011 17h15
Encontro dos Tambores: conjunto de sensações pulsantes nas rodas de dança
Da Redação - Agência Amapá
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Cores, resgate da identidade, valorização da cultura afro-brasileira, homenagem ao líder Zumbi dos Palmares. O primeiro dia do Encontro dos Tambores reuniu um conjunto de emoções e sensações pulsantes nas rodas de dança das oito comunidades de Marabaixo, Batuque e Tambor de Crioula, que se apresentaram na noite desta quinta-feira, 24, no anfiteatro do Centro de Cultura Negra, no bairro do Laguinho.

Centenas de pessoas assistiram e dançaram junto com os grupos que vieram das localidades de Mazagão Novo, Goiabal, Igarapé do Lago, Pirativa, Porto Grande, Maruanum, Ilha Redonda e Campina Grande. No palco, os percussionistas e cantadores davam o tom às cantorias de ladrões (letras de Marabaixo). E tudo ficou mais belo com os movimentos circulares e as saias esvoaçantes das dançarinas e os gingados dos homens.Encontro dos Tambores é a reunião de famílias, de amigos, o reencontro de parentes distantes. É o sinal de um povo afrodescendente. Veja mais fotos.

Encontro dos Tambores é a reunião de famílias, de amigos, o reencontro de parentes distantes. É o sinal de um povo afrodescendente, de cabelos crespos e trançados, que têm orgulho de ser negro e que aguarda, com ansiedade, a chegada da Semana da Consciência Negra para se confraternizar com pessoas de todas as cores, crenças e idades, compartilhando com elas o legado cultural deixado por seus antepassados, manifestada na tradição centenária da cultura negra de reverenciar suas origens.

O balanço dos braços, o arremesso dos pés, o meneio do tronco e dos quadris, a harmonia de todo o corpo em gestos que não perdem a continuidade. Como se fôra um ininterrupto perambular pelo círculo, em estreita ligação com o solo – as danças negras do Amapá contagiam a todos.

Após cada apresentação individual os grupos convidam o público a se juntar na roda. O anfiteatro do Centro de Cultura Negra (CCN) fica pequeno para comportar a todos que querem dançar, porém, este exato momento se revela na maior prova visual de que as diferenças se igualam para celebrar a vida, a resistência do povo negro.

Estrutura para receber as comunidades

Na primeira noite do Encontro dos Tambores, mais de 350 integrantes de comunidades chegaram em Macapá, a partir das 18h. Foram buscados em suas localidades por técnicos da Secretaria de Cultura (Secult) e dos Afrodescendentes (Seafro), em ônibus garantidos pelo governo do Estado. Cada comunidade se apresentou com mais de 40 integrantes.

Diferentemente dos anos anteriores, eles não seguiram para escolas ou para o CCN, onde se alojavam nas salas de aula, em colchonetes desconfortáveis. Desta vez, o grupo foi recepcionado no Imperial, próximo ao local do evento, onde puderam descansar e se arrumar tranquilamente, com conforto. Essa foi uma iniciativa do governador Camilo Capiberibe, que exigiu tratamento com respeito e dignidade.

Enquanto se preparavam, três ônibus os aguardavam do lado de fora do hotel para levá-los ao Centro de Cultura, onde um jantar já estava os aguardando. Um restaurante foi instalado dentro do Centro só para atender as comunidades, com o fornecimento de almoço e jantar.

Dona Vanda dos Santos, 54 anos, do grupo de Marabaixo da Ilha Redonda, no quilômetro 13, gostou da receptividade.

"Eu tenho fé de que o nosso Encontro dos Tambores vai voltar a ser como era e essa mudança já está acontecendo. É a primeira vez, nos mais de 12 anos que dançamos neste evento, que somos acolhidos em hotéis. Estamos confortáveis, com ar-condicionado e a janta tava muito gostosa", disse.

Impressões de quem veio de longe

Dona Raimunda Santos, 80 anos, é a matriarca do grupo da Ilha Redonda. Ela se mostrou emocionada com a estrutura do Encontro dos Tambores.

"Sei que teve alguns problemas, mas isso sempre tem, mas poxa, estamos sendo tratados como sempre merecemos, com respeito, com o reconhecimento que nossa história tem de ter. Nossa vida, nosso legado, devem ser contados e repassados de geração para geração. Para nossos filhos, netos, bisnetos e tataranetos, e isso só vai acontecer se tivermos apoio de todos para continuarmos nossa caminhada".

O grupo de Elson do Carmo, o mestre Jacundá, da União Folclórica de Campina Grande, no quilômetro 21, dançou com 56 pessoas. Nem todos ficaram no hotel, por residirem na capital, mas os que se hospedaram disseram que este ano se notou uma grande diferença.

"Meus amigos estão muito felizes. Cada comunidade é dotada de cantador, músicos, dançarinos e equipe de apoio. Nós somos um grupo cultural e, como tal, temos os mesmos direitos de ser recebidos como são os artistas de fora, por que não?", diz.

Na plateia, Maria Raimunda Lamus, 51 anos, moradora do Igarapé do Lago, vibrou com as apresentações.

"Está tudo maravilhoso. Isso aqui é união de pessoas, as comunidades mostrando sua cultura e vendo as pessoas terem o prazer de assisti-las e dançarem juntas, isso não tem palavras. E esse ano vamos poder assistir a todos os nossos irmãos, porque estamos em hotéis e nos disseram que é pra ficarmos todos os dias de evento. Antes, tínhamos que nos apresentar e os ônibus já estavam nos esperando para levar de volta, não curtíamos nada".

Nesta sexta-feira, o Encontro dos Tambores continua, a partir das 20h, com apresentações do Marabaixo do Arthur Sacaca, comunidade do Curiaú, São Benedito de Campina Grande, Mata Fome, Curiaú de Baixo (Raízes do Babá), Berço do Marabaixo, Torrão do Matapi e Santo Antônio do Matapi.

Rita Torrinha/ Secult

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