O Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) assinou, nesta segunda-feira, 10, na Praça do Pequeno Empreendedor Popular, localizada no Centro de Pesquisas Museológicas - Museu Sacaca, o Termo de Cooperação Técnica com a Associação dos Povos Indígenas Waiãpi do Triângulo do Amapari (Apiwata).
De acordo com o termo, os índios da etnia ficaram responsáveis de construir a réplica da casa dos Waiãpi, na exposição a Céu Aberto do Museu Sacaca. Segundo a diretora do Museu, Mônica Dias, a construção iniciou na sexta-feira, 8, e será concluída nesta quarta-feira, 12.
"Os índios são ágeis e eficientes, possuem habilidades específicas e estão fazendo um ótimo trabalho", disse a diretora. Na construção, estão sendo utilizados materiais como cipó-titica, cobertura de ubim, paxiúba no piso, esteios de pau mulato e aquariquara.
De acordo com a técnica do Museu, Nayara Cavalcante, a aldeia Waiãpi não apresenta formato característico. As casas estão dispersas no espaço limitado pelo igarapé ou pelo rio e pelas roças, deixando livre uma praça (okara), onde se realizam as atividades sociais e rituais. Cada casa corresponde a uma família nuclear ou, em raros casos, a uma família extensa, abrigando em média 4 a 7 pessoas.
Ela explicou ainda que as casas do tipo tradicional são palafitas, construídas sobre estacas, que podem chegar a uma altura de dois metros, tem-se acesso ao estrado por uma escada esculpida num tronco de árvore.
Já a cobertura, em duas águas, é feita de folhas de ubim e palha preta. Eles acreditavam que morando no alto estão mais próximos dos espíritos. A área embaixo da casa é utilizada para atividades cotidianas, mas também é usada para enterrar seus mortos. Quando o chefe da tribo é sepultado, eles abandonam a aldeia e procuram outro local para morar.
Atualmente, elas vêm sendo substituídas por grandes construções baixas, sem paredes, ou ainda por simples tapiris de construção rudimentar e provisória.
Fabíola Gomes/Secom