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20/06/2011 10h40 - Atualizado em 22/06/2011 12h05
Governador garante tirar Bailique do atraso em 4 anos
Da Redação - Agência Amapá
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A população do Bailique ouviu do governador do Amapá, Camilo Capiberibe, a resposta que queriam para que inicie a reconstrução do distrito abandonado há oito anos pelo poder público. Os problemas vivenciados pelos moradores foram ditos durante a Escuta Popular do Plano Plurianual Participativo (PPA), que levou a equipe de governo até a comunidade onde definiram prioridades.

O governador aproveitou a visita e, além da Vila Progresso, onde aconteceu a Escuta, visitou símbolos do desenvolvimento econômico e social que hoje não cumprem sua finalidade, como a Escola Bosque, Hotel Escola, Fábrica de Beneficiamento de Pescado, localizada em Itamatatuba, e a Fábrica de Beneficiamento de Frutas, Mel e Palmito, em Igarapé Carneiro.

"Vamos retomar os grandes projetos que foram esquecidos nestes anos, devolver para a população tudo o que foi conquistado e trazer novos avanços", disse Camilo.

Escola Bosque

Com cerca de 10 mil habitantes, Bailique é formado por oito ilhas e dividido em 42 comunidades. Lá foram implantados projetos audaciosos que mudaram a vida dos ribeirinhos, como a Escola Bosque e o Hotel Escola. Inaugurada em 1998, a Escola Bosque era parte do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá (PDSA), que tinha a intenção de educar interagindo os educandos com o meio ambiente e a cultura. Ela tem atualmente 950 alunos, 56 professores, e oferece do ensino básico até o segundo grau.

Um dos problemas enfrentados é com relação aos professores que têm dificuldades em se adaptar. O presidente do Conselho Comunitário do Bailique, Paulo Rocha, fala que precisa ser recuperado o objetivo inicial da Escola que inclui a formação de ribeirinhos para trabalharem no local.

"Antes trabalhávamos em parceria com a natureza, mas o governo passado extinguiu o método socioambietal, que era o diferencial, e instituiu o tradicional. Hoje, estamos carentes de professores comprometidos com nosso povo e especialistas em meio ambiente", diz o presidente.

Investimentos

O governo do Estado já começou a investir na educação no Bailique. O governador entregou na sexta-feira, 17, um bloco que servirá para eventos da comunidade e atividades da Escola, como educação física e um anexo reformado.

"Quero trabalhar mais pela educação daqui. Ainda não estou satisfeito. Vou garantir professores e um plano político pedagógico eficiente", disse o governador. Hoje, existem no arquipélago 27 escolas e três anexos. Mas, a intenção é se adaptar à realidade atual. O governador se comprometeu em construir a escola da Ponta do Curuá.

Fábricas

Os moradores do Bailique dividem-se entre viver da pesca e agricultura, ou trabalhar na produção de mel e azeites de andiroba e pracaxi. O isolamento geográfico e o produto não são problemas, a maior carência é de incentivo e apoio. Por isso, a maioria dos moradores propõe a retomada urgente das atividades das Fábricas de Beneficiamento de Mel e Frutas e a de Pescado. Para eles, o desenvolvimento passa por investimentos no setor.

Paulo Rocha explica que a fruta abundante na região é o açaí, que tem 80% da produção vendida para comerciantes de Macapá. "São todos pequenos agricultores, que vendem aqui na beira do rio Amazonas ou esperam uma embarcação que leve a produção para Macapá. Com a fábrica de polpa, elas sairão daqui beneficiadas, o problema de escoamento seria menor e o lucro maior", diz Paulo.

A visita do governador e equipe técnica às fábricas retratou a realidade que transformou projetos-modelos na Amazônia em obras abandonadas, depredadas e sem uso. Em Igarapé do Carneiro foi construída em 2002 a Fábrica de Beneficiamento de Frutas, Mel e Palmito, no curto tempo que funcionou. Até dezembro do ano de sua inauguração, os moradores chegaram a ter lucro com venda de mel, única atividade que teve. Hoje, ela está tomada por insetos e animais como morcegos, alguns equipamentos foram levados e os poucos que restam estão deteriorados.

A gerente de Agronegócios da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), Nanivalci Costa, explica que está sendo feito um mapeamento para saber onde estão os equipamentos. "Alguns têm cautela, mas, a maioria vamos ter que localizar. Quando terminar este trabalho, vamos fazer um estudo e ver a possibilidade de reativá-la, pois para este ano não será possível. Temos que colocar novamente a marca Amapá nas prateleiras dos supermercados de todo o mundo", fala a gerente.

Plantas medicinais

Para a dona de casa Fátima Silva, a vida seria mais fácil se a fábrica retornasse. Ela vive da produção do azeite de andiroba, poderoso anti-inflamatório. Mas, com a fábrica, poderia até mudar de ramo de trabalho e ganhar mais. Ela conta que por safra, que dura de abril a junho, vende em média 20 litros a R$ 25,00 cada um. O resto do ano, todos fazem o que podem para não passar dificuldades.

"Graças a Deus nasce andiroba em todo canto aqui, mas dá trabalho tirar o azeite. Não quero deixar de tirar, mas tenho que sobreviver o ano inteiro", lamenta dona Fátima. Além do mel e azeites, a região é rica em outras plantas medicinais, como a pata-de-vaca, usada para controlar a diabetes, e o pirarucu, para problemas intestinais.

Pescado

Outra riqueza natural do Bailique bastante discutida foi a pesca artesanal, fonte de alimento e renda da maioria dos moradores. O pescador Florisvaldo Rocha diz que eles enfrentam problemas com a falta de equipamentos e de gelo apropriado e ainda com a fiscalização.

"O pescador sai para pescar devendo. Não temos equipamentos bons e se a fiscalização nos pegar em áreas de Preservação Ambiental, perdemos tudo. É uma atividade de alto risco", conta.

Ele sabe da importância das leis ambientais e sugere que o governo invista na piscicultura. "Muitos só sabem pescar. Temos que obedecer às leis. O ideal é a criação particular de peixe", diz o pescador. Para ele, a Fábrica deve voltar a funcionar para absorver o que é pescado, seja através do método atual ou da piscicultura, e produzir mais gelo.

Para suprir a necessidade, seria necessário que ela produzisse no mínimo uma tonelada por dia, o dobro do que a fábrica produz hoje. "Queremos que o governo financie nosso aparelhamento e a gente consiga sobreviver e vender peixe", diz o pescador. Sobre isso, o governador Camilo Capiberibe disse que há possibilidade concreta do governo financiar a compra de instrumentos.

Compromisso

Uma caminhada pela Vila Progresso foi suficiente para que o governador enxergasse o que os moradores reclamaram durante a Escuta Popular. Além do Hotel-Escola e das fábricas, as passarelas estão em estado lastimável, quebradas e apodrecidas. Ele garantiu que sua prioridade será a reconstrução, ainda este ano, das passarelas que são ruas e avenidas das comunidades do Bailique. Para isso, ele pediu ao presidente Paulo Rocha que faça um levantamento de quantos quilômetros precisam ser reformados. Outro compromisso firmado foi com relação a Arena Esportiva, cuja obra está parada faltando 25% para ser concluída.

"Assumo o compromisso de tirar o Bailique do atraso a que ele foi jogado nestes últimos anos. Vamos dar o valor que merecem. Minhas prioridades são construir a escola da Ponta do Curuá, reformar as passarelas e fazer avaliações para que as fábricas funcionem. Vamos botar em pé novamente o que foi destruído nestes anos e criar um modelo de potencial econômico para o Amapá", disse o governador. Os técnicos avaliam o modo de gerenciamento das fábricas.

Mariléia Maciel
Assessora de Comunicação Social
Secretaria de Estado da Comunicação Social

 

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